Lucro Real não é só para grandes empresas — veja quando ele é a melhor escolha
O Lucro Real tem reputação de regime caro e burocrático. Mas essa reputação não é justa: para empresas com margens baixas, altos custos dedutíveis ou grande volume de compras, o Lucro Real pode ser o regime que cobra menos imposto — bem menos que o Simples ou o Presumido.
Como o Lucro Real funciona de verdade
No Lucro Real, o imposto é calculado sobre o lucro contábil real da empresa — aquele que aparece na DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) depois de deduzidas todas as despesas. Se a empresa não teve lucro, não paga IRPJ nem CSLL.
As alíquotas são: 15% de IRPJ sobre o lucro (mais 10% de adicional sobre o que exceder R$ 20.000/mês) e 9% de CSLL. Sobre esses impostos, a alíquota total chega a 34% — mas aplicada sobre o lucro real, não sobre o faturamento.
O diferencial do PIS/COFINS não cumulativo
Aqui está o segredo que muita gente ignora: no Lucro Real, o PIS/COFINS é não cumulativo. Isso significa que a empresa pode descontar créditos de PIS/COFINS sobre as compras de insumos, mercadorias, aluguel de imóvel para a operação e outras despesas.
As alíquotas são maiores (PIS: 1,65%, COFINS: 7,6%), mas os créditos podem reduzir muito o valor a pagar. Para empresas com alto volume de compras — supermercados, indústrias, distribuidoras — o PIS/COFINS não cumulativo é uma vantagem enorme.
Quando o Lucro Real é claramente vantajoso
- Margem de lucro abaixo de 8% — no Presumido, presume-se 8% de lucro mesmo que você tenha lucrado menos
- Empresa com prejuízo — no Real, prejuízo não gera imposto; no Presumido, você paga mesmo com prejuízo
- Alto volume de compras — crédito de PIS/COFINS não cumulativo pode ser muito expressivo
- Muitas despesas dedutíveis — folha de pagamento alta, aluguel, depreciação de equipamentos
- Faturamento acima de R$ 78 mi/ano — acima desse limite, Lucro Real é obrigatório
Quando o Lucro Real costuma perder
- Empresas com margem de lucro alta e poucas despesas dedutíveis
- Prestadores de serviço com baixo custo de insumos (a não ser que o Fator R ajude no Simples)
- Empresas que não têm contabilidade organizada — o Lucro Real exige DRE e balanço confiáveis
Comparativo: mesma empresa em dois regimes
| Lucro Presumido | Lucro Real | |
|---|---|---|
| Faturamento | R$ 2.000.000 | R$ 2.000.000 |
| Custo das mercadorias | Não considera | R$ 1.600.000 (deduz) |
| Base do IRPJ/CSLL | R$ 160.000 (8% presumido) | R$ 160.000 (lucro real) |
| IRPJ + CSLL | ~R$ 37.000 | ~R$ 37.000 |
| PIS/COFINS | R$ 60.000 (3% s/ fat.) | R$ 18.000 (9,25% - créditos) |
| Total de impostos | ~R$ 97.000 | ~R$ 55.000 |
Nesse exemplo, o Lucro Real economiza R$ 42.000 por ano — graças principalmente ao crédito de PIS/COFINS sobre as compras. Para empresas com perfil semelhante, a análise vale muito a pena.
O que fazer antes de decidir
A decisão entre regimes exige simulação com os seus dados reais: faturamento, custo das mercadorias ou serviços, despesas operacionais e margem de lucro. Não existe resposta universal — e a análise precisa ser feita todo fim de ano para o exercício seguinte.
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