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Regimes Tributários08 Mar 2026· 7 min de leitura

Você está no regime tributário errado? Como descobrir antes do próximo imposto

89% das empresas brasileiras nunca comparou os três regimes tributários disponíveis. Se você está no mesmo regime desde que abriu a empresa, existe uma chance real de estar pagando imposto a mais todo mês — sem perceber.


Por que a maioria das empresas nunca muda de regime

Quando uma empresa é aberta, o contador geralmente indica o Simples Nacional quase que por reflexo. É menos burocracia, uma guia só, e para empresas que estão começando faz sentido. O problema é que o tempo passa, o faturamento cresce, o negócio muda — e o regime continua o mesmo.

Mudar de regime dá trabalho. Exige análise, cálculo, decisão. A maioria dos contadores está sobrecarregada e não faz isso proativamente. O resultado é que a empresa vai crescendo e pagando alíquotas cada vez mais altas dentro do Simples, quando poderia ter migrado para o Lucro Presumido e reduzido o imposto.

⚠️ O regime tributário só pode ser alterado uma vez por ano, no início do exercício fiscal (janeiro). Se você está no regime errado agora, vai ficar até o fim do ano. Não deixe para a última hora.

Os três regimes — o que cada um é na prática

Antes de comparar, é fundamental entender como cada um funciona:

Simples Nacional

Aplica uma alíquota progressiva sobre o faturamento bruto. A alíquota sobe conforme o faturamento acumulado nos últimos 12 meses aumenta. Parece simples — e é, na burocracia. Mas o imposto pode não ser o menor.

Lucro Presumido

O governo presume que sua empresa tem uma margem de lucro fixa (8% para comércio e indústria, 32% para serviços). O imposto é calculado sobre essa margem presumida, independente de qual foi o lucro real. Se você lucra mais que o presumido, é vantajoso. Se lucra menos, não.

Lucro Real

Você apura o lucro exato da empresa e paga imposto sobre ele. Se teve prejuízo, não paga IRPJ nem CSLL. Exige contabilidade detalhada, mas pode ser muito vantajoso para empresas com margens baixas ou que têm créditos de PIS/COFINS.

Como fazer a comparação corretamente

Uma comparação séria precisa levar em conta três variáveis principais:

💡 O Fator R é uma variável extra no Simples Nacional que muitos ignoram. Se a folha de pagamento da empresa for maior que 28% do faturamento, a empresa pode migrar do Anexo V para o III — reduzindo a alíquota de até 33% para 6%. Vale verificar.

Exemplo real: empresa de serviços com R$ 800 mil/ano

Imagine uma empresa de consultoria com faturamento de R$ 800 mil anuais e margem de lucro de 40%. Veja a diferença entre os regimes:

RegimeBase de cálculoImposto estimado/ano
Simples Nacional (Anexo V)Faturamento bruto (~17%)R$ 136.000
Lucro Presumido (serviços)32% presumidoR$ 72.000
Lucro RealLucro apurado (40%)R$ 88.000

A diferença entre o Simples Nacional e o Lucro Presumido nesse caso é de R$ 64.000 por ano. São mais de R$ 5.000 por mês sendo pagos a mais — dinheiro que poderia estar no caixa, no investimento ou na distribuição de lucros.

Quando cada regime tende a ganhar

O que fazer agora

O primeiro passo é fazer a simulação com os seus números reais. Não adianta usar estimativas genéricas — cada empresa tem uma realidade diferente, e o regime ideal depende dos seus dados específicos.

Feita a simulação, leve o resultado para uma conversa com seu contador. Mostre os números, questione se faz sentido revisar o regime para o próximo ano. Contador bom vai receber isso bem. Contador que se incomoda com a pergunta é um sinal de alerta.

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